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Já ouviu falar de procedimentos estéticos regenerativos?

Sabe realmente o que significa “regenerar” em medicina estética?

A medicina regenerativa estética é, atualmente, um dos temas mais discutidos na área médico-estética. A promessa é extremamente apelativa: não apenas melhorar sinais de envelhecimento, mas restaurar a estrutura e a função jovem e saudável dos tecidos.

No entanto, é essencial distinguir entre potencial científico e realidade clínica.

O que significa “regenerativo” em Medicina?

Ao contrário de tratamentos que atuam apenas sobre um problema específico, como por exemplo, estimular a produção de colagénio, a medicina regenerativa procura restabelecer a constituição fisiológica e funcional dos tecidos.

Em teoria, o objetivo não é apenas melhorar a aparência, mas regenerar.

Atualmente, o leque de tratamentos com potencial regenerativo é cada vez mais vasto. Entre os mais divulgados encontram-se:

  • Plasma rico em plaquetas (PRP) e fibrina rica em plaquetas (PRF);
  • Exossomas;
  • PDRN (polidesoxirribonucleótidos);
  • Polinucleótidos;
  • Bioestimuladores;
  • Células estaminais.

A ciência nesta área é dinâmica e promissora. Contudo, é importante compreender em que fase de desenvolvimento se encontram estes procedimentos.

O ADN e os polinucleótidos desempenham um papel central na investigação em medicina regenerativa estética.

O que são PDRN e polinucleótidos?

O PDRN (polidesoxirribonucleótidos) consiste em fragmentos de DNA, habitualmente derivados de fontes biológicas específicas, que em estudos laboratoriais e clínicos demonstraram estimular mecanismos de reparação celular, promover a angiogénese e favorecer a atividade dos fibroblastos.

Os polinucleótidos atuam de forma aproximada, contribuindo potencialmente para hidratação profunda e melhoria da qualidade da pele.

Atualmente, os polinucleótidos parecem ter um maior suporte científico. Por esse motivo, e também pelos resultados clínicos observados, na Clínica Faciem estamos atualmente a privilegiar a utilização de polinucleótidos.

Alertamos o leitor para o fato de existirem muito poucas marcas disponíveis no mercado com as devidas autorizações para uso injetável. Sugerimos que questione sempre o seu profissional de saúde sobre o estatuto regulamentar do produto que lhe vai ser aplicado.

Exossomas: promessa científica e realidade clínica

Os exossomas são pequenas vesículas extracelulares libertadas pelas células, responsáveis pela comunicação intercelular. Em investigação básica, demonstraram capacidade para modular processos inflamatórios, estimular reparação tecidual e influenciar regeneração celular.

Se pretende compreender melhor o que são os exossomas, como funcionam e qual é o seu potencial na medicina estética, pode aprofundar este tema no nosso artigo dedicado aos exossomas: Explorando o intrigante Mundo dos Exossomas na estética médica – Parte I

Contudo, a transposição destes resultados laboratoriais para a prática clínica estética ainda carece de validação robusta. Além disso, importa referir que muitos dos produtos comercializados como “exossomas” não possuem aprovação para uso injetável por entidades reguladoras europeias.

Se tem curiosidade sobre os cosméticos com exossomas e o que a evidência científica nos diz sobre a sua utilização tópica, leia também este artigo dedicado aos exossomas em cosmética: Explorando o intrigante Mundo dos Exossomas na estética médica – Parte II

Assim, embora o potencial seja relevante, a evidência clínica disponível é ainda limitada.

Bioestimuladores: onde estamos hoje?

Entre os procedimentos atualmente disponíveis, os bioestimuladores de colagénio são aqueles que apresentam maior histórico de utilização e melhor suporte científico. Estimulam a produção de colagénio e promovem melhoria progressiva da firmeza cutânea.

Se pretende compreender melhor o seu mecanismo de ação, indicações e resultados, leia também o nosso artigo dedicado aos bioestimuladores de colagénio: Bioestimuladores de colagénio: tudo o que precisa saber

Ainda assim, é importante sublinhar que estimular colagénio não equivale necessariamente a regenerar integralmente um tecido. Existe uma diferença conceptual entre melhoria estrutural e regeneração completa.

A otimização do potencial regenerativo destes produtos depende de uma seleção criteriosa dos produtos e da aplicação de uma técnica adequada e otimizada.

Representação simplificada dos mecanismos biológicos envolvidos na medicina regenerativa estética.

O que nos diz a melhor evidência científica disponível?

Revisões sistemáticas recentes e publicações científicas conduzidas por investigadores reconhecidos na área convergem numa conclusão comum:

  • Estes procedimentos apresentam potencial regenerativo;
  • A investigação está em crescimento;
  • Alguns mostram resultados preliminares encorajadores.

No entanto, continuam a existir lacunas importantes:

  • Falta de ensaios clínicos robustos e de grande escala;
  • Ausência de protocolos padronizados;
  • Escassez de dados de segurança a longo prazo;
  • Variabilidade significativa de resultados entre pacientes.

Por conseguinte, ainda não atingimos uma medicina verdadeiramente regenerativa no seu sentido mais pleno.

A questão da regulamentação e da segurança

Um dos aspetos mais preocupantes é a utilização de produtos e procedimentos que não estão devidamente regulados.

Alguns tratamentos promovidos como regenerativos:

  • Não possuem aprovação das entidades reguladoras de saúde portuguesas ou europeias;
  • Não têm autorização formal para uso injetável;
  • Não apresentam estudos clínicos suficientes que comprovem eficácia e segurança.

É importante reforçar que promessas rápidas não substituem estudos clínicos bem conduzidos, nem aprovação regulatória.

A utilização leviana de produtos sob a designação “regenerativo”, sem validação científica adequada, pode transformar uma tendência estética num potencial problema de saúde pública.

Três mensagens fundamentais que deve reter

1. Alguns procedimentos disponíveis hoje já demonstram benefícios biológicos interessantes. No entanto, ainda não conseguimos promover um rejuvenescimento completo e integral da pele através de um único tratamento regenerativo.

2. A variabilidade de resultados é significativa, pois muitos destes tratamentos dependem da resposta biológica individual de cada paciente.

3. Nem todos os procedimentos comercializados como regenerativos possuem aprovação para uso médico, particularmente em formato injetável.

Medicina regenerativa estética: futuro ou marketing?

A medicina regenerativa é, sem dúvida, um caminho científico promissor. A investigação nesta área deve continuar e merece investimento sério.

Contudo, entusiasmo não pode substituir evidência.

A palavra “regenerativo” desperta desejo, expectativa e esperança. Porém, quando utilizada de forma banalizada no marketing, pode criar promessas que a medicina atual ainda não consegue cumprir.

A mensagem mais importante

A estética médica deve ser ética, responsável e baseada em evidência científica.

Regenerar tecidos é um objetivo fascinante e potencialmente revolucionário. No entanto, o verdadeiro progresso acontece através de investigação rigorosa, regulamentação adequada e comunicação transparente.

Entre o potencial científico e a aplicação clínica existe um caminho que deve ser percorrido com prudência, ética e respeito pelos pacientes.

Porque, na medicina, inovação só é verdadeira quando é segura e comprovada.